Festive

December 5, 2019

 

 

 

 

O Festive nasce por uma necessita. A necessita de existir. A existência de se manifestar e se tornar fôlego para a cultura gaúcha. O mesmo aconteceu com a arte, ela nasceu juntamente com o homem e se fez necessária para a sua existência. Quem estava no Festive pode perceber a semelhança do festival com os antigos rituais. Pois os povos se encontravam num determinado local para agradecer ou pedir, às vezes ficavam ao redor de fogueiras, representando deuses, seres ou a natureza. Era uma mistura de teatro, dança, literatura e música. Assim era o Festive, onde grupos de todo o Rio Grande do Sul se encontraram ao redor de um palco e ali celebraram o teatro e a filosofia humana. E tudo isso só aconteceu porque esse anseio nasceu no coração de Igor Ramos. 

 

Igor Ramos ao lado de Juliana Johann estão a frente do grupo de teatro Leva Eu. E o Festive fluiu com a identidade desse grupo e do coração de cada integrante. O grupo Leva Eu busca engrandecer a arte, estão sempre colocando o teatro a frente de tudo e assim fazendo com que suas obras falam mais do que suas vidas. Por isso, o Festive se tornou um lugar aconchegante, onde os grupos vinham e se colocavam de corpo e alma. Uma entrega que só foi possível pelo fato de se sentirem num lugar cercado de amor. Não havia clima de competição e sim de satisfação, todos queriam estar no palco e mostrar a arte do teatro. 

 

O ato de representar se torna uma arte nas mãos de pesquisadores que buscam compreender a técnica de atuação e ultrapassar as suas barreiras. Este era o anseio de cada diretor que esteve no Festive - Amanda Senna, Jeferson Hertzog, Fernanda Moreno, Henrique Leal, Josi Saldanha, Tatiane Wilbert, Dani Reis, Derci Nascimento, Bianca Flores, Carlos Eduardo de Oliveira Prado, Silvana Maciel e Silvia Maciel, Dennys D’Almeida e Natalia Monteiro - percebia no olhar e na troca de cada um deles esse desejo de fazer e descobrir mais da arte.

 

Essa talvez seja a chave desse festival, o encontro com o outro. Essa proximidade que permite estar olhando no olho do outro, sentindo o calor do outro e percebendo que somos iguais, nos levam a ter uma troca com afeto. O afeto que se torna sabedoria quando vem recheado de palavras generosas de Alessandra Souza, Plínio Mosca, Mauro Soares (mediador das conversas, mas também trouxe colocações admiráveis) e eu. Que juntos como avaliadores trouxemos apontamentos singelos a partir do trabalho específico de cada um. Belíssimo ver que o Rio Grande do Sul está cercado de pessoas que se iluminam através da arte. 

 

E em meio a tudo isso que percebi a potência do Festive. Pois se tornou um local de troca e amizades. Os grupos abriram espaço para outros entrarem, quando se viu, todos estamos unidos conversando, rindo, dançando e até assistindo uns aos outros. Houve grupos de longe que ficaram hospedados na cidade para acompanhar outras peças, pelo simples fato de compreender que este momento de ver outros grupos, também se torna uma aprendizagem. O Festive se fez amigo, ali fiz amizades e tive encontros que nunca mais serão esquecidos. O vínculo com alguns grupos se firmou de uma maneira especial, levo todos com carinho e afeto. 

 

O mesmo se dá pelo Festive que mudou minha forma de ser Crítico e mostrou que a crítica nunca será um julgamento, pois ninguém cometeu um crime. E se cometesse haveria uma condenação e o conceito da crítica passa longe disso. Foi neste festival que descobrir que a crítica é aquele momento de abraçar uma obra e apontar fragmentos que passam despercebidos de muitos olhares. Por isso, devesse lapidar o olhar da alma, apurar a observação humana e entender a poesia que cerca a arte, para assim conseguir trazer a luz de todos, colocações que edifiquem o trabalho que está sendo apresentado. Engana-se quem acha que todos os comentários sempre deve ser positivos, só que até a colocação negativa deve haver sabedoria em suas palavras. 

 

Tudo isso se fez presente na minha vida pelo fato de compreender que o Festive me mostrou esse caminho de compreensão da crítica e da arte. Todos que passaram ali souberam com me ajudar a ver a arte do teatro como uma descoberta do homem e da compreensão do universo. Essa simplicidade que abraça o Festive o torna forte o bastante para viver uma longa caminhada na história dos festivais teatrais. Pois a sua essência parte da necessidade de manifestar a arte, que vem antes de qualquer reconhecimento, só que essa necessidade está abraçada a existência do homem. Esta que resgata a origem da humanidade e da criação do teatro. Que essa atmosfera reine sempre nas veias que pulsam e dão vida ao Festive. Vida longa ao Festival Estadual de Teatro Estudantil de Viamão!      

 

     

 

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