©2018 by Crítica e Diálogo. Proudly created with Wix.com

Os Males do Fumo

November 19, 2019

 

 

 

Os Males do Fumo leva ao encontro do diálogo inteligente, espirituoso, irônico, reflexivo sobre as diversas opções do ser humano. Com essa leveza vimos diante de nós um ator - João Petrillo - mergulhar na arte da dramaturgia. Com uma disciplina impecável Petrillo sabe usufruir do tempo e aproveitar cada minuto da construção cênica. A partir da criação da sua personagem e o cuidado nos detalhes, percebe-se um brilho diferente neste ator. Um ator preocupado na troca com o outro (público) e na construção do enredo. Usando do cômico para tratar de temas importantíssimos, João Petrillo não se estremece ao ver que nem toda piada se torna riso na boca da platéia. Só que a outros momentos onde o riso ganha a cena e se torna uma personagem do Os Males do Fumo.

 

O texto Os Males do Fumo ou Os Malefícios do Fumo do dramaturgo Anton Tchekhov mantém sua origem com ares atuais. João Petrillo e o diretor Renato Del Campão souberam dialogar de uma forma sutil e coerente. Para alguns amantes de Tchekhov talvez se torne um pouco distante a forma que é abordado. Só que esta forma se destaca para o teatro atual e nos leva a ver outras camadas da dramaturgia na cena. Assim, saímos um pouco dos inúmeros espetáculos construídos na base da atuação e criação própria, para um resgate de um texto conhecido e a criação de uma personagem. 

 

Essa personagem que chama atenção nos detalhes. Sua criação vai desde a mudança de voz até o olhar. Inúmeras vezes o ator se aproxima da plateia e ao olhar olho no olho, percebemos fragmentos de uma criação. João Petrillo se torna peculiar ao compreender sua essência. Um jovem ator que está trilhando uma pesquisa e construção cênica admirável para sua geração. Ainda no processo dessa construção, percebe-se movimentos que o levaram para um rumo primordial na atualidade do teatro gaúcho e até nacional. Digo isso, pelo fato de inúmeros momentos ver João dominando o tempo, apreciando a cena, se envolvendo nos detalhes e construindo uma poesia surreal. Momentos esses que se deve estar atento para ver esse mergulho profundo que acontece. 

 

Este manifesto se sobressai devido a observação do diretor Renato Del Campão ao trazer a proposta mais intimista e próximo do público. O olho no olho se torna uma escada para aprimorar a ação da personagem e permitir uma extensão da narrativa. Usar a Sala Carlos Carvalho como palco também permite colocar o público em outras maneiras de observação e apreciação da narrativa. Acredito que esse cuidado venha de Eduardo Kraemer que também faz parte desse projeto e assina como orientação cênica e luz.  

 

Sublimes ao ver essas três gerações do teatro - João Petrillo, Renato Del Campão e Eduardo Kraemer, juntos. Suas observações se completam e permitem nascer um projeto que respeita suas identidades. Assim trazendo as observações corriqueiras sobre atualidade e mesclam com seus próprios trabalhos, ficando evidente a crítica através da sátira e mantendo uma integridade íntima da obra. Por isso percebo um amadurecimento neste projeto que a cada nova temporada deve ganhar mais subsídio para sua execução e tornando assim a melhor escolas para João Petrillo se lapidar.      

 

Foto: Pedro Mendes

Please reload

Our Recent Posts

90 Ceias

January 14, 2020

Em Chamas

December 10, 2019

Festive

December 5, 2019

1/1
Please reload

Tags

Please reload