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A Praga de Unicórnio

November 11, 2019

 

 

A peça A Praga de Unicórnio se torna uma homenagem ao resgatar a literatura infantil. Com base na obra da escritora Ana Maria Machado, somos levados a conhecer uma belíssima adaptação deste livro. Neste projeto vimos mais uma vez a fusão entre literatura, que tem o poder na palavra, e o teatro, que tem o poder da ação. Ambos brincam com a nossa imaginação e nos levam a viver, sentir e desfrutar de momentos especiais. A adaptação feita pelo Grupo Oazes respeita a obra e consegue mesclar com a atualidade, assim somos levados a reviver o brincar do faz-de-conta, o acreditar e o imaginar. 

 

Ana Maria Machado sempre se preocupou em dialogar com, e para, as crianças. Essa ênfase se torna brilhante quando encontramos nas suas histórias o imaginário e a rebeldia. Estes são alguns dos pontos que permeiam suas obras. Machado traz essa rebeldia ao perceber que as crianças não estão preocupadas em seguir a “lógica” das coisas, do tempos e das manifestações. Dessa forma usando o imaginário para criar hipóteses e reflexões que ajudam a viverem grandes aventuras. O imaginário é apresentado diretamente para as crianças e respinga nos adultos permitindo fazê-los sonhar. Essa essência que encontramos nas obras da Machado, são respeitadas e aprimoradas nesta peça A Praga de Unicórnio. Acredito que essa aperfeiçoamento acontece pelo fato do Grupo Oazes ter como referência uma família de artistas e leitores.

 

Primeiramente leitores do mundo, suas observações se tornam grandiosas para as criações de seus espetáculos. A diretora Lisiane Medeiros passa boa parte de seus dias no convívio com crianças. Esses encontros são para ministrar aulas de teatro, assim dando a diretora subsídio para criar A Praga de Unicórnio. Além disso a família Azevedo a cada nova geração vem aprimorando e lapidando a importância da arte. O teatro se tornou uma forma de sobrevivência para essa família. Refiro-me a sobrevivência, no aspecto de existência, existir. Esse fôlego passa a estar no palco e suas peças ganham um ar peculiar. Pois reina a arte do teatro. Na peça A Praga do Unicórnio não poderia ser diferente, o teatro ganha forma e dialoga com as crianças. Esse cuidado na construção do projeto abraça os pequenos ao trazer em cena três atores - Lauro Fagundes, Marina Fervenza e Natasha Villar - que brilhantemente conseguem se destacar no teatro para crianças. 

 

Esse destaque acontece pelo fato da seriedade que esses atores abraçam a peça e constroem seus personagens. A linguagem corporal e a relação entre eles permite fixar o olhar das crianças na cena. Além deles, temos também o ator Carlos Azevedo, que dá vida ao síndico do condomínio onde vivem esses amigos. Belíssimo ver a generosidade de Azevedo ao estar ao lado de três jovens atores e juntos criarem uma atmosfera de qualidade para o teatro. A troca entre os quatros se engrandece a cada minuto do espetáculo que aos poucos desvenda o desamor desse síndico que coloca regras e leis rigorosas no condomínio.

 

A Praga de Unicórnio desenvolve na cena a união de três amigos que tem um clube "secreto" - O Clubinho do Unicórnio. Nesse clube o que reina e o faz-de-conta! Essa brincadeira se amplia para reflexões sociais, mas que não se apresentam em forma de fábula, trazendo moral. A brincadeira se torna uma conscientização social, está que é percebida pelos adultos. Pois a criança se depara com essa conscientização através das brincadeiras entre os três amigos. A diversão toma conta e o condomínio passa ser o lugar perfeito para essas três crianças que aos poucos compreende que o amor e a diversão são a maior transformação. O faz-de-conta se torna contagiante que acaba afetando o síndico e que o faz relevar um grande segredo.

 

Esse segredo que só os olhos bem atentos conseguem observar. O teatro ganha vida neste espetáculo, de formas sutis percebemos que nas brincadeiras das crianças se faz teatro. O fazer de brincar, imaginar, criar, utilizar objetos e a imaginação infantil. Se explora através da criança o conceito de se fazer o jogo cênico, este que acaba se tornando a cereja do bolo dessa peça. Esse brincar que aos poucos vai ganhando força e presença no palco. As crianças saem encantadas do espetáculos e não param de comentar com os outros vários momentos especiais. Os adultos recordam a consciência inocente de ver e lidar com as coisas. E mais do que isso, juntos percebemos a força da transformação de um coração que "cresceu" mas nunca envelheceu. 

 

Foto: Adriana Marchiori

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