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Bibi – Uma Vida em Musical

October 4, 2019

 

O Brasil é terra de arte e cultura. Em cada estado se tem uma ramificação da nossa arte, bem definida que conta a história de cada povoado que engrandece esse nosso país. Somos ricos na nossa história cultural, pena que poucos conhecem de fato os caminhos tomados por nossas artistas. Mas quanto se tem a oportunidade de estar diante da história, somos levados ao um encontro com a emoção. A família Ferreira é a concretização do amor do teatro que arrebata pai e filha para o palco, onde ali se tornam humanos, gente, artistas, estrelas. Essa transformação que mostra o quanto o respeito por esse ofício levou a um reconhecimento surreal. O amor pelo teatro é existente nesta família, e o mesmo se dá ao ver o espetáculo Bibi – uma vida em musical, que trás ao palco um elenco apaixonado pela arte.

 

Bibi – uma vida em musical é conduzido pela emoção. O enredo se costura através da emocionante história da vida da família Ferreira que nos leva a ver o teatro com outros olhos. Somos conduzidos a refletir sobre o trabalho do ator e seu estudo/pesquisa para criar uma personagem e produzir um espetáculo. Percebemos o quanto a arte necessita de esforço, responsabilidade e entrega. Toda essa energia necessária neste oficio pode colocar outras escolhas da vida, em segundo plano, como por exemplo, a vida amorosa. Neste contexto percebemos o quanto o teatro era de fato a vida dessa família que através dos palcos sobreviveu e viveu num país onde a cultura não é valorizada pelos grandes lideres do Brasil.

 

Se olharmos bem a história de Bibi Ferreira, iremos perceber que também é a construção do público, pois ela fez com que pessoas se apaixonassem pelo teatro. Difícil construir uma cultura de apreciadores da arte, ainda mais nas condições do nosso país. Mas Bibi Ferreira fez com que essa realidade mudasse. Assim mostrando ao país que a desvalorização parte do poder e não do povo. Talvez esse resultado na sua trajetória esteja ligado ao seu talento que se mistura com sua doçura pela vida. Não a como negar a sua garra e tesão pela atuação, lutou sempre pelo teatro com todas as forças. Seus relacionamentos também se misturavam entre um ato e outro. Assim mostrando que Bibi era uma mulher do teatro, que seu amor estava na arte e não nos homens.

 

Essa atmosfera de respeito, amor e cultura se manifesta vivamente no palco de Bibi – na vida em musical. A delicadeza de escolher um elenco que também está conectado a essa energia é um dos maiores acerto desse projeto. Pois ao apreciar o espetáculo, percebe-se artistas banhados de amor e orgulho ao contarem a história da diva do teatro nacional. Não se encontra em cena orgulhos e egos, mas talentos, entregas e amor. Um elenco de artistas completos, que emprestam seus corpos para dar vida a inúmeras personagens, de diferentes fases dessa artista. Uma excelência no jogo cênico que nós leva a sorrir e se emocionar do inicio ao fim.

 

Algo que desperta minha atenção neste espetáculo e ver o belíssimo cenário e figurinos, arranjos musicais, letras incríveis e cenas deslumbrantes. Mas que tudo está a favor do roteiro, pois a palavra se torna o foco deste espetáculo. O texto, a narrativa, a história não se esconde atrás da luz, do cenário ou das vozes dos artistas. O roteiro é a construção deste amor, a vida de Bibi de fato e narrada e colocada com devoção. Os roteiristas Artur Xexéo e Luanna Guimarães souberam escolher as palavras certas para compor essa história, quanto amor, quanta delicadeza e sabedoria. São falas contidas, com diálogos rápidos e sucintos. Cenas necessárias e que dizem tudo. E essas breves colocações desertam no público uma comoção a verem a vida de Bibi se consolidar juntamente com a história do teatro nacional.

 

E a direção de Tadeu Aguiar é excelente. Pois Aguiar soube olhar para a caixa (teatro) e colocar cada coisa em seu lugar. Sua sensibilidade soube administrar e dosar cada elemento desse projeto que se torna um presente para o público. Tadeu reconstrói a emoção de “ver Bibi Ferreira” e sentir cada momento precioso da sua trajetória. Acredito que isso não poderia ser feito sem a entrega e dedicação do elenco como falei anteriormente. A atriz Amanda Acosta empresta sua alma para a generosidade de Bibi Feira e se transforma visualmente e cenicamente numa estrela dos palcos, provocando arrepios no público. Guilherme Logullo trás a delicadeza de um ator que se entrega de corpo, alma e voz a seu personagem e que sabe a importância do palco em sua vida e para o público. Chris Penna é a metamorfose do ator, sua transformação no palco nos leva a ver Procópio Ferreira e se orgulhar de sua existência.

 

E todo o elenco está num nível que concretiza a narrativa apresentada. Pois todos estão nos mostrando às qualidades do teatro nacional e de como somos bons no que fazemos. Parabéns a todos vocês por acreditarem de coração e alma nessa história do teatro nacional e levar a emoção dessa cultura belíssima que existe em nosso país. Bravo!

 

Ao termino do espetáculo o público que se encontrava na estréia de Bibi – Uma vida em Musical no Theatro São Pedro em Porto Alegre é tomado pela emoção, assim aplaudido incansavelmente o espetáculo. Um projeto que exalta uma família do teatro, que engrandece a nossa história e nos faz amar mais e mais a cultura nacional e reconhecer que temos artistas impecáveis no nosso país. Uma honra ter prestigiado e me comovido ao assistir esse brilhante espetáculo.  

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