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Os Saltimbancos – Em Busca da Liberdade

September 10, 2019

 

Existem obras clássicas do teatro que carregam uma magia. Essas peças se mantém  viva no tempo. Sua sensibilidade de dialogar com o público é quase um papo entre amigos. Essa aproximação é tão orgânica que a cada geração colecionam mais e mais admiradores. “Os Saltimbancos” está nesta lista de grandes obras do teatro, ainda mais por ser uma referência no universo infantil. Mas não podemos só classificar como uma peça infantil, sua amplitude está  nas letras desse teatro musical, que abraçam todas as idades. A essência encontrada nas linhas e entrelinhas desse texto aborda conflitos e soluções para nossas questões humanas. Esse conceito,   renasce novamente no palco com a adaptação feita pelo Grupo Teatral Leva Eu.  

 

A peça Os Saltimbancos é uma obra provocante que poucos se atrevem explorar outros meios de contar e recontar essa história. Mas o que poucos percebem é que este texto já é um reconte de um conto oral que ganhou sua escrita através dos Irmãos Grimm. Os Músicos de Bremen são a inspiração para criar a história dos quatro amigos animais que sonham em viver na cidade e ser cantores. Esse poder que a obra carrega se ampliou com a adptação de Chico Buarque fez a partir do texto original do italiano Sergio Bardotti. Por isso, essa peça tem essa atmosfera de metamorfose, como o conto oral, que passa de boca em boca e a cada novo conto se encontra uma bela história. 

 

O Grupo Teatral Leva Eu mergulha nesta obra de corpo, alma e coração. No decorrer do espetáculo compreendemos que a escolha da peça não foi pela grandeza que existe na obra, mas pelo carinho que todos têm pela história. Os atores Gabriele Motta, Igor Ramos, Juliana Johann e Renata Severo se permitem brincar com o jogo cênico e aproveitar o momento. Os animais ganham vida, seus desejos se tornam reais e a poesia é a escolha para costurar uma trilha na outra. Essa entrega orgânica que existe no espetáculo ultrapassa a barreira do teatro musical e nos leva ao encontro da magia teatral.

 

Belíssimo ver quando os atores estão preocupados em contar a história e não na perfeição do todo. Essa escolha, faz com que a história do Jumento, Cachorro, da Galinha e a Gata fique a frente do ator e seu desempenho. Dessa forma a história é o foco, o centro, a vida do espetáculo. Percebe-se esse cuidado, pois o estudo e a pesquisa musical que é entregue ao público é de um carinho sem igual. Não escutamos as músicas serem só cantadas, elas ganham uma interpretação, uma voz. A apresentação  é tão afetuosa que acaba conquistando o público de cara.   

 

Os animais que sonham em chegar à cidade e cantar, estão diante de nós. Com sua forma humilde na criação de cada personagem, somos conduzidos a voltar a sonhar. Esse desejo de serem cantores ecoa sobre nossos corpos e quando vimos estamos embalados por cada canção. O público se pega cantarolando e cantando letras conhecidas por todos e para engrandecer esse momento a poesia cênica se destaca e nos permite apreciar nossos sonhos e lembranças. E o mais interessante é que algo semelhante acontece com crianças de colo. Logo na minha frente existia um menino, que estava conectado com a cena, em muitas músicas seu corpo embalava no ritmo das canções ou até explodia de anseio e suas mãos batiam palmas juntos com risadas de alegria. Esse é o poder da magia do teatro. 

 

Outro ponto que não passa batido nem por adultos e crianças, é como somos conduzidos em cada cena apreciar a poesia que se forma no palco. Com caixas de madeira, alguns objetos cênicos, uma janela grande e um boneco de madeira, se construi diversos cenários que vão sendo manipulados pelos próprios atores. Para engrandecer mais esta dinâmica, a luz, que é assinada por Patrik Simões, produz um encanto aos olhos de todos que logo se permitem entrar nessa poesia. Somos levados a apreciar construções cênicas com os olhos e o coração. 

 

Esses pequenos destaques que aponto nesta construção, se faz o espetáculo Os Saltimbancos – Em Busca de Liberdade, apresentados pelo Grupo Teatral Leva Eu. Como se a narrativa oral ganha-se um novo corpo, sem perder sua essência e enredo. O grupo é fiel ao texto de Chico Buarque, mas consegue colocar sua identidade na construção do espetáculo. Assim dando vida a obra e não caindo numa mera reprodução. Nas narrativas orais, tem esse poder, de fluir por vários caminhos e permitir essas pitadas de autenticidade. E sem contar que Os Saltimbancos é uma obra pensada em dialogar com os pequenos e desde pequeno colocar em seus pensamentos provocações que estimulem suas observações para um futuro melhor. É assim que o Grupo Teatral Leva Eu resolve recontar essa obra prima do teatro e fazer com que todos tenham um reencontro com seus sonhos e ideais. 

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