©2018 by Crítica e Diálogo. Proudly created with Wix.com

Aos Teus Olhos

August 22, 2019

 

A evolução da arte se mistura com a filosofia humana. Esse fluir que sempre esteve conectado com o ser humano e suas emoções, sensações e pensamentos. Com o passar do tempo essa existência anda se perdendo na correria do cotidiano. A cada nova geração a humanidade está esquecendo-se da verdadeira essência - a comunhão, e vivendo um individualismo egocêntrico. O homem está sendo adestrado ao egoísmo, mas chega um momento da caminhada que nossa origem mostra que algo ecoa errado dentro de nós. Voltar a entender essa humanidade sobre nossas escolhas e postura nos dias de hoje é a questão levantada na história do professor Rubens. O filme Aos Teus Olhos nos leva ao encontro dessa observação. A profundidade da narrativa, produz um espanto ao termino do filme, quando nos damos conta da obscuridade que existe dentro de nós.

 

Somos humanos, assim, somos bichos. E temos a natureza de instinto e assim movidos por julgamentos sem analisar e entender os fatos. Nossa atualidade nos permite ser mais intensos, sem termos filtros e jogar nossos pensamentos com tanta força no mundo que esquecemos que somos muitos. Aos Teus Olhos nos coloca diante do professor Rubens (por Daniel de Oliveira), que é amado pelos seus alunos e pelos funcionários do clube. Suas turmas de natação são cheias e prazerosas, mas a sua índole é questionável, quando o pai (interpretado por Marco Ricca) de Alex (Luiz Felipe Melo), chega à direção (diretora é Malu Galli) do clube e relata que o professor Rubens beijou seu filho na boca. Nesta proposta somos levados a embarcar numa atmosfera profunda que nos mostrar através da narrativa o quanto somos líquidos e temos a facilidade de julgar sem entender os fatos. Lucas Paraizo o responsável pelo roteiro deste trabalha, buscou nos caminhos mais acentuados do homem, compreendeu a falsa ilusão que vivemos. Brilhantemente suas falas nos deixam embasbacado com essa realidade tão cruel e gritante na cena, nos colocando de frente com o reflexo da humanidade e sua superficialidade atual.

 

A cada cena do filme vimos pontos de visitas diferentes e que faz mudar nosso julgamento. Outro ponto que me desperta o questionamento é perceber a escolha de levar algumas cena ao público. No momento que é relatado que o garoto Alex contou para a sua mãe (Stella Rabelo) sobre o fato, o pai do menino, não é enquadrado na cena, assim não vendo seu rosto, também como acontece no momento que Rubens e confrontado pela direção do clube. Este olhar que somos induzidos pela direção de Carolina Jabor nos diz muito, pois quando não a revelação total da face e por que alguma coisa está sendo oculta. Após temos a cena do pai confrontando a mãe para entender como foi que o filho deles relatou o ocorrido e um papo sincero entre Rubens e a direção onde mostrar o enquadramento aberto e todos na cena, sem o recorte anterior.

 

Essa sacada amplia ainda mais a duvida se de fato o incidente ocorreu ou não com o menino, e neste momento percebe-se como somos conduzidos a criar um olhar critico da situação. Outro ponto a ser levantado é a postura da mãe de Alex que mostrar uma personalidade ansiosa e sempre acompanhada de cigarros e bebidas. Mesmo separada do pai do menino, ela busca uma atitude firme dele nesta história, mas ao se sentir desamparada ela resolve compartilhar o ocorrido nas redes sócias assim expondo a vida do professor sem imagina as conseqüências. A história antes mesmo de ser averiguada ganha grandes proporções que refletem na vida pessoal e profissional de Rubens.

 

O que me deixa mais inquieto é como fiquei com a provocação do filme. Percebi a insanidade que existe dentro de mim e a necessidade de saber de fato quem é culpado. Mas estamos nessa busca pelo fato de encontrar justiça ou só para tentar provar ao mundo que nossas colocações são as verdadeiras. No filme não mostra Alex contando a sua mãe o acontecido, o pai tenta conversar com o garoto, mas a relação deles é complicado e o menino não diz nada. Aí podemos caminhar para inúmeras soluções, mas então me pego nesta questão se devo gastar minha energia na compreensão do culpado ou na análise da filosofia humana sobre a ética e moral do homem a partir das suas atitudes na atualidade.    

 

Somos movidos pelo instinto que a cada momento histórico se adapta ao ambiente e atmosfera que vive. Por isso, muitos acreditam que a exposição pública é uma das formas mais sensatas de resolver os problemas. Quantos textos existem nas redes sociais para trazer a tona situações que deveriam ser observada antes de um pré-julgamento. Assim permitindo que sejamos homens traiçoeiros que se alimentam do odeio. Esquecemos que é no tempo e com paciência que entendemos a clareza dos fatos. Aos Teus Olhos propõe uma reflexão na postura da humanidade e não só no julgamento do professor Rubens, mas a nossa necessidade de afirmação e de “justiça” que se mistura com exposição pública e afirmação pessoal de cada um. A insanidade humana está a ponto de se perder no caminho natural das coisas, que foi a sua própria criação.       

 

Foto: Divulgação Pictures

 

 

Please reload

Our Recent Posts

December 10, 2019

December 5, 2019

Please reload

Archive

Please reload

Tags

Please reload