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Sedimentos

August 20, 2019

 

O espetáculo Sedimentos está na busca de encontrar a sua voz. Percebe-se que muitos atores tem a necessidade de estar na cena, mas esquecem do momento mais precioso – a criação. E esse anseio acaba levando para o palco projetos frágeis. E esquece-se do resultado que isso pode influenciar no público que estiver prestigiando. Sedimentos te surpreendem de cara pelo cenário e produção, que lhe faz acreditar que haverá momentos incríveis na cena, mas quando se inicia a peça acabamos nos perdendo entre a tentativa dos atores ao dar vida à história.

 

Sedimentos escolheu abordar uma temática peculiar entre os textos teatrais. A escolha do tema é interessante, mas que passa distante da atualidade. Sabemos que nunca iremos deixar de esquecer o que se passou na Primeira e Segunda Guerra Mundial e nas que ainda existe entre povos e nações. Volta e meia os cinema estão lotando suas salas com filmes que exploram essa abordagem. Mas as salas de cinemas lotam devido os efeitos e soluções, que o diretor e produção do filme, encontrou para contar aquela história.

 

Neste caso, a dramaturgia deveria ser a alma do espetáculo. Pois nessa narrativa que deveria ser a ligação entre o público e a cena. Mas acabamos vivenciando uma proposta complexa ao ver dois seres – um homem e uma mulher – que se preparam para entrar em cena e trazer alguns recortes de textos famosos no teatro e outros não. Essa história se passa entre os bastidores e o “palco” desse teatro imaginário. Ao decorrer da narrativa, vamos sendo levados para outro caminho, que é sobre uma situação que acontecia com os soltados que iam à guerra. Que seria a grande revelação e compreensão do que está de fato acontecendo com este homem e está mulher.

 

Algo se perdeu nessa construção. Pois ao sair do espetáculo tive a necessidade de conversar com amigos que foram assistir à peça para tentar decifrar o que tinha acontecido. E o interessante e que o desfecho nunca dialoga com toda a proposta, não conversam entre si. Compreende que o teatro é criação e experimentação, mas o processo deve ser feito no decorrer da construção do espetáculo, e o ato, a cena com o público não deve ser o palco da tentativa dessa elaboração dessa etapa inicial.  

 

E isso também se amplia para atuação de Pedro Shilling e Julia Kieling que apresentaram um esforço, quase no seu limite, para estarem dando vida aos personagens. Essas personagens que estavam só representando um texto e tentando dar sentido a cena. Não havia alma, vida. Alguns momentos existiam piadas que ninguém ria. Momentos de reflexões que passam. Um exemplo e a intensidade da personagem de Kieling que é espevitada, conseguimos entender que a essência da persona é divertida. Mas não se compreendia as suas falas em determinados momentos onde a atriz colocava toda a sua energia para tentar ilustrar essa euforia da personagem. A um esforço exagerado para a construção da personagem que acaba distanciando nosso entendimento.

 

A proposta é bem intencionada, mas merece um cuidado zeloso na sua produção, na atuação, direção e narrativa. Algo natural em todo processo teatral. Pois mesmo com a boa intenção de estar em cena e querer fazer teatro, também devemos lembrar que seus nomes e seus trabalhos estão sendo levados para a cena. E devido a isso, que digo, cuidem com o resultado, pois ele nunca deve ser bom e excelente para o ator e direção, pois assim se desenvolve um teatro para si próprio e não para um público. A arte nunca foi para engrandecer um ator, um roteirista, diretor, quem faz isso é o público ao exaltar o oficio teatral A arte foi feita para estar com o povo e dali produzir, provocar, transformar. Que o mesmo aconteça com os envolvidos neste espetáculo.  

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