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Para Que Servem As Coisas

July 19, 2019

 

A peça Para Que Servem As Coisas se torna grandiosa no Universo Infantil. Pois o espetáculo destaca a primeira infância e sua naturalidade em filosofar e descobrir o mundo. Com a personagem Jota, conseguimos nos aproximar dessa inocência que existe nos pequenos e compreender as suas hipóteses e soluções para os obstáculos da vida. Isso só acontece por que o ator Eduardo D’Avila compõe sua personagem com entusiasmo e espírito livro. D’Avila é tomado pela sua alma de contador de histórias e faz com que todos embarquem nessa proposta animadora e real aos olhos da platéia.

 

A peça percorre no tom de contação de histórias, fazendo que Eduardo D’Avila exerça dois papeis neste enredo. Algumas vezes ele se torna narrador e outras ele dá vida ao menino Jota. Essa atmosfera de contação de histórias é presente na vida de muitas crianças, pois esse exercício acontece me muitas bibliotecas escolares, centro de leituras e até na casa de muitas delas. O desejo de estimular a imaginação e vivenciar situações que provoquem sensações naturais é enriquecido para os pequenos. Algo semelhante acontece com os adultos, que também são tomados pela proposta do espetáculo.

 

A magia da peça Para Que Servem As Coisas se complementa com o uso de animações que são projetadas no palco. Essas animações ganham vida e interagem com a personagem Jota. Desenvolve-se um dialogo entre Jota e os objetos que acabam cruzando o caminho do menino. O garoto descobre o mundo, após entrar numa loja de objetos usados, para tentar resgatar a sua Bici que foi vendida pela sua mãe. A saudade da sua companheira é tanta que ele quer pegar a Bici de volta, mas a sua aventura se torna maior a se ver diante de uma situação peculiar. Os objetos que estão à venda na loja, começam a interagir com Jota e contam a ele os seus sonhos de terem novas utilidades. Assim fazendo que a imaginação do menino desperta-se para que juntos criarem novas serventia para os objetos.

 

É neste enredo que somos provocados a ampliar nossos olhares e resgatar nossa inocência diante de tantos tabus da sociedade. Para Que Servem As Coisas sutilmente nos coloca diante da forma crua e natural do homem. Pois a criança está pronta para viver o mundo da forma mais pura que existe. Mas perdemos essa essência quando somos conduzidos a se encaixar nos padrões existentes da sociedade. Um exemplo disso é o momento onde a mãe de Jota acaba discutindo com o filho após ele não obedecer as suas ordens. A cena é hilária, pois os adultos vêem seu reflexo na situação, que é brilhantemente abordada na peça. Outro momento marcante é o questionamento dos objetos, sobre cada um ter só uma função e quando perdem seu “valor”, também eles perdem a função e acabam sendo deixados de lado. O mesmo não acontece com nós?

 

Brilhantemente somos conquistados a observar com tanto zelo esta proposta dirigida pela Tainah Dadda, que também assina a dramaturgia juntamente com Thais Fernades, e juntas criam esse universo encantador. Sem contar que elas unem a atualidade e tecnologia com a arte de contar histórias e conseguem despertar sonhos e reflexões em toda a platéia. Dialogar com sabedoria nos dias de hoje é observar esse caos e encontrar ramificações pontuais para novas construções do pensamento. E para projetos tão amplos como esse, deve se ter em cena, um ator múltiplo que está desprendido dos tabus sociais. Eduardo D’Avila se destaque no oficio cênico da sua geração. Acompanho a carreira do ator é já o encontrei em diversas interpretações, é surpreendente ao ver seu distanciamento em cada novo papel. D’Avila consegue construir suas personagens com tal perfeição que em algumas vezes sua voz ganha novos tons e seu corpo se amolda em diversas propostas. E não foi diferente nesta peça onde o ator se destaca pelo seu sorriso e jeito moleque de ser.  

 

A peça trabalha com estímulos diversos para construir essa narrativa. Além de projeções e animação e a interação com o ator, somos provocados por sons produzidos por instrumentos musicais que compõe o figurino da personagem. O Universo Infantil se materializa na nossa frente: sons, desenhos, histórias, imaginação e sentimentos, todos juntos para contar essa aventura de Jota e a Bici. Somos levados a brincar com a poesia, criar novos pensamentos, a explorar novas aventuras e a ver a vida com mais leveza. Entendemos que ser criança não é ser infantil, mas ser inocente, ou melhor, sermos seres que sempre estão em buscas de ampliar sua existência com conhecimento. Que passamos ser parecidos com Jota daqui para frente – cientistas, filósofos e livres. E assim construir um Mundo mais gostoso de viver.  

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