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Os Mamutes

July 12, 2019

 

A peça Os Mamutes apresenta o teatro e sua transformação. A produção da peça se destaca pela direção coletiva do grupo ao desenvolverem um espetáculo que deleita-se sobre o roteiro. O texto ganha uma adaptação totalmente dinâmica e jovial e irônica, trazendo a personalidade e atmosfera dos atores. Nesta diversão somos surpreendidos pela delicadeza de trazer novos rostos para o palco e neles percebe-se o seu anseio e pesquisa cênica na construção e na produção das personagens e do espetáculo. Interessante ver, que mesmo sendo jovens atores, conseguimos perceber modificações significativas nas construções das narrativas. E assim, entre cores e personagens heroicos, somos conduzidos a dialogar com uma narrativa totalmente atemporal e expressiva para atualidade.

 

Gratificante ver jovens atores que estão engajados na produção coletiva. Os Mamutes é uma produção visualmente deslumbrante que se apegou na criação de personagens que permeiam o mundo literário infantil e as histórias em quadrinhos. Com muitas cores e apresentações peculiares vamos conhecendo cara ser que cruza o caminho de Leon – interpretado por Mauricio Schneider. E esses personagens acabam relevando jovens atores, que mesmo numa caminhada inicial, já estão num processo louvável nas suas pesquisas cênicas. O texto consegue destacar cada um, de uma forma diferente, onde percebemos os atores que já tem uma familiaridade com a cena e outros que estão neste processo de encontro pessoal e profissional. Só que se vê o anseio em todos os atores envolvidos, abraçando a peça e juntos dando vida a cada momento.

 

A escolha do texto do dramaturgo Jô Bilac foi um acerto para a linguagem desses jovens. Pois o roteiro é versátil a ponto das observações dos atores se torna eclética diante de uma narrativa que permite brincar em cena. No decorrer do espetáculo vimos as múltiplas formas de dialogar com o público do modo mais inusitado possível. Constroem personagens fantásticos, cheios de atos heroicos, que te levam a um submundo da ludicidade adulta e nos provoca inquietações com o sarcasmo escrito por Bilac. Essas narrativas que são tiradas de situações peculiares da humanidade, e que neste contexto apresentado, nos coloca diante de questionamentos importantes a partir da ética e moral do homem.

 

Leon é um rapaz que busca um emprego na multinacional de fast-food Mamutes que produz hambúrguer de carne humana. Para conseguir a vaga ele deve matar um mamute - que seria um homem sem valor. A costura dessa história se dá através de uma menina, chamada Isadora, interpretada por Marina Greve, que constrói a sua personagem com referencias na Alice no País das Maravilhas. Brilhantemente ela conduz todo enredo como se estivesse construindo aquele mundo e os impasses na caminhada de Leon, assim conduzindo ele a um encontro com esses personagens.

 

As entrelinhas desse espetáculo conseguem permitir a visualização obscura da sociedade e dos caminhos escolhidos pelo homem para estar incluso no todo. Consumismo, alienação, selvageria social, insanidade e outros temas são levantados nesse enredo que tenta trazer clareza aos olhos de quem vê. Essa proposta encanta os atores – Lauro Fagundes e Henrique Strieder – que acabam presenteando o público com suas atuações nos diversos personagens que compõem neste espetáculo. Henrique Strieder consegue estar no palco inúmeras vezes e permitir a cada novo encontro com o público, apresentar uma nova faceta nas suas composições cênicas, despertando um olhar para seu futuro nos palcos gaúchos. Lauro Fagundes protagoniza um o clímax de “Os Mamutes” se dá ao encontro da personagem Squell e sua poesia lírica com a morte. O sonho da donzela é morrer! A sensação e o momento se tornam precioso para a personagem, que é espontâneo nas mãos de Fagundes que encanta a todos com aquele desejo mais pura da personagem.

 

O espetáculo também trás atores com a piada na ponta da língua, o sarcasmo e até humor insano, a leveza dos primeiros passos e a coragem de se jogar na cena. Toda essa atmosfera está repleta de responsabilidade e sabedoria. E isso reflete na peça que tem sua forma e força na cena gaúcha e que acaba se destacando modestamente entre tantos trabalhos da região. Um espetáculo que merece ser visto mais de uma vez para absorver tantas colocações de Jô Bilac e a forma do fluir dessas palavras nas mãos desses atores que conseguiram encontrar uma forma especial de se comunicar com o publico e querer despertar novas reflexões da sociedade.

 

Foto: Juniê Conceição

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