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Meu Irmão, O Medo

 

A peça Meu Irmão, O Medo coloca na cena atores engajados a estarem nesse ofício, mas que nenhum momento nos aproximamos da proposta da peça. O enredo relembra os fatos que sucederam entre 1961 a 1964, aonde acontece uma conscientização da população que saiu nas ruas pelos seus direitos – conhecido como Campanha da Legalidade. O ato se tornar marcante e relevante para os tempos atuais onde deveria provocar uma análise pessoal e social do público. Infelizmente o contexto histórico não se destaca na narrativa apresentada pelo Grupo Atrito. E essa tentativa fracassou, pois os atores não estavam presentes na cena, desempenhando uma atuação que não permite observarmos as camadas das personagens e vivenciar seus episódios.  

 

No palco diversos atores bem intencionados. Só que ainda percebe-se uma concentração e entrega singela para o trabalho. A atenção está voltada para os diálogos entre as personagens. Assim observando que seu foco está no desenrolar do enredo. As falas de cada personagem não condizem com suas ações, como se o corpo estivesse desconexo das emoções que tentado ser expressadas. Desde modo dificultando a construção e profundidade dos personagens. Cada ator fica responsável em interpretar mais do que uma personagem em todo enredo da peça. Esses protagonistas são apresentados de formas fragmentadas, com cenas curtas, aonde eles vão e vem numa costura de histórias contando seus pontos de vista sobre política e sociedade.

 

Meu Irmão, O Medo conta a história de um sindicalista, uma enfermeira, uma militante feminista, um estudante, funcionário publico e uma dona de casa. Sabemos que eles estão na cena, pois os atores estão vestidos de acordo com cada personagem, só que não os sentimos. Nenhum personagem está presente naquele momento. Suas histórias passam sobre nossos olhos sem importância, como se estivéssemos sabendo de fatos irrelevantes. É necessário que essas personagens tenham vidas, vozes e almas. No decorrer da peça percebe-se que uma das preocupações desse projeto era trazer inúmeros elementos para ilustrar as cenas. A uma excelência nas entradas e saídas dos atores para a construção e desconstrução das pequenas cenas, mas que acabaram deixando outros pontos do espetáculo sem um cuidado maior.

 

Outro ponto que me chamou atenção foi o descuidado com a parte técnica. O espetáculo é banhado por trilha sonora que tentam ampliar essa atmosfera de luta pelos direitos e por um Brasil melhor. As trilhas apresentadas também não matem uma lapidação nos detalhes. As músicas se misturam com elementos sonoros, mas o descuido com essa execução deixa a cena desleixada e sem propósito. Mesmo sendo um grupo, que está a pouco tempo nesta caminhada cênica, devem ter uma observação maior para os detalhes. Meu irmão, O Medo me faz questionar se foi falta de um cuidado especial da direção de Fernanda Moreno ou de uma responsabilidade dos atores envolvidos. O enredo é totalmente louvável para nossa observação atual e poderia desencadear de inúmeras formas se fosse usado com sabedoria.

 

A luta dos brasileiros se torna eterna quando estamos diante de um povo que quer evoluir na sua construção social. E não podemos ser só mais um no meio de tantos, nossos hinos devem ser escutados em meio à multidão. Por isso, que não se deve envolver-se numa causa se não acredita nela. O mesmo acontece com Meu Irmão, O Medo, se não acredita do que estão contando, não terá sucesso na execução.

 

Desejo que o Grupo Atrito possa estar numa busca intensa para aproximar-se dessa proposta que eles resolveram colocar na cena. Que eles possam encontrar sua voz, seu grito, sua alma neste espetáculo Meu Irmão, O Medo e provocarem incomodo em cada pessoa que assistir e refletir sobre o que se passou nesse país. Que possam ser instrumentos das personagens e seus anseios, que eles possam viver em seus corações as ações de cada episódio. Para que assim se tornem uma voz ativa na arte e serem atores verdadeiros e sem medo se mostrar seus potenciais.

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