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Última Peça

June 22, 2019

 

Presenciei a “Última Peça” do Teatro Sarcáustico, que após 15 anos de trajetória nos palcos teatrais resolve encerrar sua história. E de uma forma bem criativa desenvolvem essa peça, que surpreende pela força e atmosfera que existe entre Daniel Colin, Guadalupe Casal e Ricardo Zigomático. Juntamente com a direção de Gabriela Poestre resolvem fazer um teatro totalmente atual, usando os recursos de hoje para contar a história de ontem. Com bom humor vimos cenas que representam varias sátiras da forma que atualmente usamos para se comunicar com o mundo. E tudo isso se mistura com a história do Teatro Sarcáustico que faz uma festa de despedida épica e desbravadora para os palcos teatrais.   

 

No palco se encontra uma história, de anos, composta de fragmentos que juntos representam a formação e crescimento do Teatro Sarcáustico. Mais do que isso, conseguimos perceber a pesquisa feita para esse projeto final e a inovação do teatro a partir de todas as experiências vivenciadas. Pois estamos diante de um grupo de atores, direção e equipe que tem um olhar de pesquisadores e que testaram inúmeras coisas nesses anos e que juntos resolve fazer algo nunca feito antes por eles e explorar uma nova forma de expressão.

 

A Última Peça resolve usar o recurso do WhatsApp para dialogar com o público. Dessa forma, resolvem inserir a platéia num grupo de conversa juntamente com os atores. Neste grupo o público visualiza a troca de mensagens, fotos, vídeos, áudios, gifs e print’s desses minutos finais para o inicio do espetáculo. Só que quem está acompanhando essa conversa consegue ver a correria dos atores para fazer o espetáculo acontecer. Essas trocas de mensagens numa rede de comunicação, que é usada diariamente pela maioria das pessoas, e acaba sendo o cenário perfeito para o espetáculo que cria uma nova forma de dialogar com o publico e de fazer teatro. Nenhum momento o WhatsApp fica no lugar do palco, existe o palco e a criação nele, mas o grupo de conversar é uma ferramenta de fluir entre ambos, a proposta acaba sendo bem recebida por todos. E essa proposta se amplia no decorrer do espetáculo onde o uso do WhatsApp é mantido até o termino da peça.

 

Além desse recurso encontramos na peça o uso do microfone, vídeo, referências da internet e interação com a platéia, elementos que são usados em diversas propostas no teatro contemporâneo. Foram poucas às vezes que vi esses elementos sendo usados com sabedoria e estarem interligados com o teatro, era como se eles estivessem a favor da narrativa construída. Pois tudo isso tem o objetivo de em cena criar um festejo e relembrar esses anos de atividade do grupo. Além disso, a peça tem momentos nostálgicos que mexem com o público que acompanha esses artistas. Mesmo para quem os viu pela primeira vez conseguiu se conectar com a proposta e se deliciar com a peça. Pois diferente de outros projetos, a Última Peça tem um clima festivo mais não se fecha ao trazer referências de todos aos anos sem pensar nos novos olhares.

 

O riso, a sátira e as lembranças são os pontos norteadores do espetáculo que usa do nosso cotidiano para brincar em cena e também relembrar momentos importantes. Como por exemplo, criar um telejornal que relembre os acontecimentos dos últimos 15 anos e faz referências a sua história. Nesse telejornal a uma conversa com um repórter que está transmitindo ao vivo os acontecimentos pelo mundo, até que ele chega ao teatro onde está acontecendo a Última Peça e conversa com “fãs do grupo”. Também tem um momento incrível da coletiva de imprensa, onde no grupo do WhatsApp são colocadas as perguntas para serem feitas. Outro momento é feito um tutorial de drinks para festas. E essas e outras cenas hilárias mexem e provocam o público. Mesmo não caminhando esses 15 anos com o Teatro Sarcáustico entende-se a identidade do grupo e desses três atores em cena, que também são conhecidos pelos seus projetos paralelos.

 

Acredito que nessa última proposta desenvolvida por eles, existe muito do que eles se transformarão nessa caminhada e descobertas pelos palcos da vida. No final o público sai com sorriso no rosto e satisfeito ao ver a beleza da Última Peça. Outros saem com o coração doido ao ver um grupo sólido e que acredita na arte e que abriu tantas portas para o teatro gaúcho finalizar sua trajetória. Mas dessa forma eles nos mostram que a arte nunca acaba, ela sobrevive o seu tempo e renova sua forma de dialogar com o público que necessita dela para viver.

 

Foto: Maciel Goelzer

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