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Junho: uma aventura Imaginária

June 14, 2019

 

Quando se sabe utilizar as palavras, delas se cria uma bela história. Boas histórias, com conteúdo relevantes o mundo está defasado. Precisamos encontrar essas obras e poder interagir e fazer essas leituras para novas construções do Ser. “Junho: uma aventura imaginária”, sabe muito bem utilizar as palavras e contar uma história, transformando aventura em poesia e mexendo com nossos sonhos. Uma história bem contada, não precisa de muito para fluir diante de alguém. Mas Junho se torna uma peça especial onde apresenta um zelo em toda a sua produção, o cuidado dos atores e suas atuações, o figurino, cenário, iluminação e trilha sonora. A união de todos esses elementos constroem uma peça que traz um enredo que pode mudar sua visão de mundo se entender o que está por trás das entrelinhas. Na sessão que estava assistindo, havia adolescentes juntos aos seus professores assistindo ao espetáculo e seus comentários eram de uma clareza incomparável. O público com sua observação trouxe a tona a sua forma de leitura da peça e consegue entender qual é a maldição que não permite o jovem Junho sair do castelo. Assim entendendo que a sabedoria pode ser liberdade para muitos e prisão para outros, ainda mais quando este outro e um observador do conhecimento.

 

A sabedoria é para todos, mas o entendimento, esse não se torna universal. Admirável a chegada do Tio Cosme ao castelo da família Frank. Como os antigos piratas, Tio Cosme é o ser viajante que conhece o mundo e coleciona histórias. Ao chegar em casa quer ensinar tudo para seu querido sobrinho Junho Frank, que já é leitor compulsivo e grande sábio. Mas o que ele não esperava era que sua mãe e sua tia carregassem o anseio dele ter o conhecimento dos alguns fatos, pois assim que a sabedoria ganha-se novas fronteiras em suas descobertas. Mas como todo bom menino, Junho é tomado por sua curiosidade que o leve a se jogar numa aventura para saber dos reais fatos da maldição que atormenta a sua família por anos e não permite a saída dele do castelo. Essa curiosidade vira uma aventura no tempo, onde faz amigos e ainda se depara com uma figura estranha. E juntos formam uma galera que quer compreender porque os livros estão sendo os motivadores da perseguição da família Frank.

 

Esse enredo despertou no coração de Thiago Silva que escreveu essa belíssima história. A propriedade que esse texto carrega é inacreditável, pois somos seres curiosos desde o início da história humana. Mas sabemos que a busca pelo conhecimento é uma das razões motivadoras do homem, mas que pode ser um obstáculo aos olhos do mundo. Quantas pessoas se fecham em seus castelos ou lugares ou corpos, com medo de revelar por serem julgados pelos outros. Ou ainda não quererem assumir sua personalidade. O medo está em todos os lugares, o medo de saber, conhecer, se arriscar. A mãe de Junho tenta proteger o menino de conhecer a verdade, mais do que isso ela tenta podar a curiosidade que nasce no interior do garoto. Quantas vezes usamos nossas mães ou desculpas para podar nossas verdades e anseios, assim nos permitindo ficar onde estamos e não sermos desbravadores de novos mundos.

 

Ainda bem que Junho como um bom garoto nunca escutou sua mãe. Leitor desde pequeno, incentivado pelo Tio Cosme, recebe o livro da família e vai descobrir a sua própria história. Uma história que é lindamente contada no palco, cheia de encanto e harmonia. Mas se observamos o por trás de tudo isso, veremos que é triste e provocativa. A família do garoto Frank é perseguida pelo fato de eles possuírem livros em sua casa, terem o hábito de ler e assim descobriram histórias. E de fato, as histórias estão cheias de aventura, drama, comédia, sabedoria e conhecimento. Quem lê ganham novas observações de mundo e devido a isso carrega humildade no coração. Junho é tudo isso é muito mais! Um garoto que soube compreender os fatos e tentar lidar com da melhor maneira com a sua “solidão”, onde vivia num lugar onde não tinha amigos e seu sonho era saber qual era a verdadeira cor das montanhas.

 

Junho: uma aventura imaginária é uma história de inspiração para toda criança e adulto, que ainda pode e deve acreditar nos seus anseios. O conhecimento pode muitas vezes se tornar chato e corriqueiro quando caímos na mesmice do ensino curricular. Mas como dizia o grande escritor Rilke – “Caso o seu cotidiano lhe parece pobre, não reclame dele, reclame de si mesmo, diga para si mesmo que não é poeta o bastante para evocar suas riquezas; pois para o criador não há nenhuma pobreza e nenhum ambiente pobre, insignificante.” Isso resume essa peça que simplesmente trás um novo respiro as crianças e adultos a buscarem as histórias e serem viajantes dos seus universos.

 

Magnífico ver que essa aventura não passa despercebida pelo coração do elenco – Alessandra Bier, Ana Caroline de David, Hayline Vitória, Jardel Rocha, Leonardo Steffanello, Pâmela Bratz e Roger Santos – que cada vez que entravam na cena era apaixonante de se ver. Como se nas suas entranhas esteve-se percorrendo cada palavra daquela história. Eles tinham desejo e amor em contar essa aventura. O tempo passou e ninguém viu, pois a uma magia entre esse elenco e essa narrativa que contagia a todos. Quase como seres de um livro, ou melhor, de um poema, a expressão deles chegam aos nossos olhos com admiração e carinho. Toda forma de manifestação é convincente, e acaba nos transportando para esse universo cheio de aventura e imaginação.

 

Lembro-me de alguns momentos assistindo a peça, recordava-me dos relatos da garota Anne Frank que também foi perseguida por seu conhecimento, pelo seu sobrenome e por sua observação de mundo. Sabemos que não necessita época ou ano para sermos julgados pelo o que somos. Mas entendemos que podemos ter a sabedoria de buscar o conhecimento para mudar essas atitudes. Junho: uma aventura imaginária vem com esse amor em tenta libertar nossas mentes e abrir novos horizontes, para que não tenhamos medo de ser quem somos e que nunca possamos nos trancafiar em nossos castelos. Mas que possamos ser que nem esse garoto – Junho Frank – explorados de histórias e aventureiros do mundo.           

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