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Alice: Além da toca do coelho

 

 

Alice: Além da toca do coelho traz para a cena uma das personagens mais icônicas da literatura mundial. Alice é uma garota movida pela vivência de uma aventura que reflete os caminhos da vida. E o Soul Produções traz o espetáculo para tentar ampliar essas questões levantadas na obra e ainda permitir que o público seja instigado a se manifestar, mesmo que no seu lugar, de inúmeras formas ao ser presenteado com as performances na cena. Quase como um malabarismo os atores são desafiados a dar vida a inúmeros personagens que compõem essa histórias e a cada nova aparição vimos outras formas de construir a personagem e fazer que ela converse com o público. mostrando assim a flexibilidade e metamorfose desses atores que acabam se destacando em muitos momentos com diferentes personas e momentos marcantes. Sem contar que essa diversão toda traz as principais cenas da obra de Lewis Carroll e anima a qualquer um ir em busca do livro e devorar essa aventura e se permitir a viver essas emoções novamente.

 

Sinto que a harmonia de peça infantil ganha outras dimensões quando se tem na plateia escolas que levam seus alunos para essa experiência. No dia 15 de Maio, prestigiei no 14° Festival Palco Giratório, o espetáculo Alice:  além da toca do coelho, e estavam no teatro alunos de diversas escolas. E com esse público somos surpreendidos no início da peça quando aparecem quatro Alices. Sim! Quatro atores representando o mesmo papel - a menina Alice. Só que dois desses atores eram mulheres e os outros dois eram homens, e um barbudo. De cara além de ser algo novo para muitas das crianças a abordagem é feita com tanta elegância e cuidado que o sorriso e no riso recebem esses quatro atores e suas formas diferentes. Na verdade todos são Alice, uma pessoa só, talvez cada qual representando uma forma da mesma personagem. Cada Alice tinha uma roupa diferente, que dizia muito da personalidade e de cada momento da personagem. Essa delicadeza de apresentar a diversidade ao público é enriquecedora, pois por trás do riso tem a alegria do respeito e da verdade. O público mesmo achando graça, também transmite amor e respeito diante do que está aos seus olhos.

 

O palco é um dos lugares que sabe respeitar e permitir a abordar de temáticas delicadas, para a sociedade, e sua discussão com o outro. A direção de Sue Gotardo trás com consciência essa proposta para nós e sabe que mesmo sendo o público infantil seu alvo, também entende que a sua percepção é de transformar esse público a ampliar seu olhar de mundo e do outro. E como diz o título da peça - além da toca do coelho - encontramos as cenas principais da obra literária, mas contém outros elementos que brincam com o universo infantil e reflexivo. Entre cantigas e adivinhações somos levado a conhecer os outros personagens dessa história e é aí que a magia acontece. De alguma forma fica sempre uma das quatro Alices em cena e as outras saem, mas logo retornam esses três atores representando outras personagens.

 

A Lagarta, o Gato, Chapeleiro e a Rainha de Copas, acabam sendo destaques que impressionam o público devido a construção e desconstrução dos atores. Não estamos falando só de novos figurinos e acessórios, quero salientar a transformação da atuação dos atores que vem com novas formas de dialogar com o público. Desde o início entendemos que os atores que representam as Alices se transformam nos outros personagens, mas ao mesmo tempo embarcamos na história conseguimos desassociar uma coisa da outra. Assim nos permitindo prestigiar esses outros seres que a Alice encontra pelo caminho. Dessa vimos diante de nós atores que se entregam e valorizam o teatro infantil. Não se vê só diversão deles em cena, mas percebe-se um estudo de personagem e sua construção cênica, para apresentar ao público um peça de teatro de qualidade.

 

O riso é o fio condutor do espetáculo, mas seu papel é de através da alegria despertar e novo olhar para essas temáticas abordadas. Alice na sua aventura é questionada sobre inúmeras coisas, vivencia momentos que a colocam na beira do abismo, forçando a pensar respostas e soluções que muitos nem se quer já pensaram. E o mesmo acontece neste espetáculo quando se provoca diante do público algumas provocações pertinentes as crianças. Mesmo com sua idade e estarem no início das descobertas do mundo. A peça instiga a criança a refletir sobre o mundo ao seu redor e fazer que ela possa buscar essa consciência de uma forma livre e natural. Alice a cada novo encontro vivencia isso e acaba descobrindo novas formas de observar e estar  no mundo. A coleção de aprendizados que ela vai adquirindo pelo caminho vai auxiliando ela para entender o desfecho da história. E o mesmo acontece com o público que se sente despertado por tantas emoções, aventuras e risadas. Danuta Zaghetto, Fabiana Santos, Luiz Manoel e Thiago Silva afirmam suas verdades ao querem fazer teatro infantil e querem mudar o mundo através de diálogos tão encantadores e profundos para o público que receber de coração aberto essa aventura que desperta um novo universo dentro de cada um.

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