©2018 by Crítica e Diálogo. Proudly created with Wix.com

TOC

March 7, 2019

 

A comédia TOC agradou o público na noite de 16 de Fevereiro, no Porto Verão Alegre. Praticamente com as três noites lotadas, os atores – Daniel Lion, Juliana Barros, Leticia Kleemann e Vinícius Petry, triunfaram no palco do Teatro Renascença e levaram o público a terapia do riso. O melhor é que o humor consegue trazer temáticas delicadas para conhecimento do público e dessa forma produzir diálogos futuros sobre isso. Surpreende quando estamos diante do encontro natural do ator com o tom cômico, assim despertando uma surpresa em cena e não só o óbvio da narrativa. Por isso, no final da apresentação foi unânime os calorosos aplausos da platéia diante do espetáculo.

 

Com a intenção de ver uma peça hilária, fui surpreendido ao perceber que o comédia é um pretexto para utilizar-se de um roteiro para falar sobre os transtornos psiquiátricos de ansiedades e outros. E claro, a comédia se dá quando estamos diante de algo totalmente natural. Por isso, encontramos diante de nós uma mulher religiosa e com mania de limpeza, um rapaz diretor de teatro que não pisa em listras e só fala a verdade, uma outra mulher com mania de perseguição e neurose que sempre há um complô contra ela, e por fim, um entregador de pizza pobre e sem etiqueta nenhuma.

 

O inicio do espetáculo é um pouco rápido demais. Os personagens entram numa velocidade instantânea no palco, no primeiro momento não conseguimos identificar suas neuroses. A clareza do perfil de cada um se dá no decorrer do espetáculo, assim faltando uma apresentação quase emocional com o público de cada personagem. Tanto que se prestar atenção, no inicio haviam risadas das piadas, do jeito e gesto de cada um, mas foi com o tempo que conseguimos reconhecer que a gargalhada se tornou parte da personagem e das situações. Uma peça que o todo necessita estar em cena para fluir, elementos únicos no palco não tem a fluidez nessa proposta. E foi primorosa a energia entre os atores e suas situações que fazem deste um espetáculo bem sucedido.

 

É chocante ver que a mulher que tem mania de limpeza é tocada inocentemente por um entregador de pizza. O cara tinha recém chegado da rua, com sua bicicleta, estava praticamente “imundo” e para falar com a mulher, tocou em seu braço, assim provocando uma histeria momentânea. O mesmo se deu na platéia que ao ver a cena, produziu um som de piedade pela mulher. Outros momentos mais divertidos aconteciam quando encontrávamos as personagens saindo do controle e tendo ataques, que para seus transtornos são naturais. Essas e outras metáforas feitas pelos atores, mostra o quanto o cotidiano se torna cômico quando paramos e observamos nossas próprias ações.

 

O momento fabuloso é a cena lunática da neurótica que acredita que está sendo perseguida. A porta do consultório está trancada, batidas na porta e ela chega ao seu auge da noia. Então o grupo todo entra na neurose dela, armam a cena, ela sobe em cima da mesa e começa a comandar o embate. A proposta é tão dinâmica e lúdica que neste momento a platéia inteira está em transe com o que está acontecendo no palco. O jogo cênico nesse momento é tão agradável e se torna cômico com uma fluidez entre os atores, que nos transportam além da imaginação para o “faz de conta”.

 

E esse momento de união entre eles decorre pela peça. Todos se juntos para de alguma forma vivenciarem as neuroses do outro. Esse também é um fato do cotidiano que passa despercebido por nós, mas temos a mania de ajudar o próximo mas não de perceber que fazemos isso. Então como falei, a comédia está aí para nos aproximar dessa realidade divertida. Apresentar o quanto somos anormais e lidamos com a vida de forma cômica, só não percebemos isso devido à falta de observação no dia a dia. Se tivéssemos a disposição de sentar e ver a vida como foram essas três noites de TOC, talvez iríamos aplaudir com verocidade nossas situações e encontros. Permitir sermos mais leves e respeitosos com a vida. O mesmo se deu diante de nós e que encantou os corações da platéia que saiu com sorrisos enormes no rosto e olhares afetuosos do teatro.   

Please reload

Our Recent Posts

November 11, 2019

November 1, 2019

October 21, 2019

Please reload

Archive

Please reload

Tags

Please reload