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Viral

March 2, 2019

 

Um dos maiores prazeres da minha vida é ir ao teatro. Sentado na platéia, pra mim, é o melhor lugar do mundo. É onde vivo inúmeras encontros, histórias e sensações. E tudo isso pude vivenciar intensamente ao assistir Viral, múltiplas emoções e encontro com personagens que fizeram brotar pequenos sorrisos no rosto, alternando com risadas gostosas e olhares arregalados. Era quase insano ver a transformação de Daniel Colin a cada foco ligado. Simplesmente o ator ganhava uma alma nova a cada narrativa e nos faz acreditar verdadeiramente neste faz-de-conta. Foi dessa forma que lembrei o motivo que frequento tantas peças de teatro, para ter encontros assim – satisfatórios – e ver o quanto o ser humano é capaz de fazer arte e dela se apropriar e tocar o outro.

 

Colin é um forte nome no teatro gaúcho. Para mim Daniel Colin se tornou grande nesta noite, neste encontro. O ator estava sentado numa espécie de base ou mesa, que continha alguns abajures e luzes, que eram acionados por ele próprio e ali, praticamente sentado, ele fez Viral acontecer.  Maestria conduzia a interpretação e a velocidade na mudança dos personagens a cada nova história havia mudança de luz e ao mesmo tempo mudava a personalidade de cada protagonista. Daniel Colin muda expressão, voz e intensidade num piscar de olhos. Tudo isso sem figurino ou, se posso dizer, sem o “glamour cênico”, totalmente de corpo e cara lavada. Assim ele traz à tona cada narrativa e nos faz entrar na vida de cada um deles e ser próximos de cada história.

 

Não há como negar, a cada minuto o prazer de estar vendo Viral era espantada no meu rosto. Muitas vezes olhava para os lados para conferir a reação das outras pessoas diante de tudo aquilo. Havia naquela noite uma mulher que estava totalmente envolvida dentro do espetáculo, volta e meia ria das gargalhadas dessa mulher que estava se divertindo horrores. Mas tudo isso era despertado pelo ator que tinha o tempo e o tom certo de cada narrativa, ele soube mesclar os fragmentos das histórias com as personalidades de cada personagem fazendo com que nossa atenção não se desperta-se nenhum minuto do que estava acontecendo.  

 

E como a conexão com tudo era exata, foi divertido conhecer cada personagem e suas histórias. Não são narrativas tão leves, mas também não tem um teor Cult demais, são história de pessoas e seus anseios. Mas os anseios o condutor motivador de cada encontro, é encantador conhecer essas personagens e seus acontecimentos. Mas o que surpreende de fato é que você é conduzido aos poucos a conhecer cada detalhe e situação dos personagens e tudo é tão bem pensado que você consegue distinguir cada história. Isso é muito importante! Saber quem é quem e suas narrativas, pois o final é simplesmente grandioso. E quase um encontro do todo, das vidas, das histórias, do ator com os personagens e sua libertação.

 

Falo sobre isso, devido o impacto que tive ao conhecer cada história, havia a menina que passava a maior parte do tempo no quarto comendo, a mãe dela tinha um pouco de arrependimento de tê-la como filha, devido a sua forma física. Tem o garoto que descobre na sua festa de quinze anos que é adotado, e outras revelações, da sua mãe bêbada. Ah! Não posso esquecer do homem que tecla com outro e está em busca de um encontro sexual, entre outros personagens e situações. Só que o tempo em Viral é como se fosse uma brincadeira poética e que te engana a cada minuto e te leva a uma revelação espantosa no final, assim mostrando a disciplina e maestria de Colin em cena.

 

Viral tem alma, voz e corpo. É um espetáculo único, que saiu do roteiro, ganhou vida e intensidade. Toda peça pode chegar ao nível de excelência, ainda mais quando se tem dedicação e estudo. Isso é provado por Colin que nos mostra o quanto a entrega e conhecimento o ator deve ter, necessitamos ir além de um roteiro decorado e marcações feitas no palco. Devemos dar a verdade no que fazemos e desta forma provocar risadas divertidas nas pessoas que estão na platéia, encontros marcantes com personagens que ficaram na memória e a satisfação de ver que o teatro é o local onde o homem pode mostrar-se por inteiro de corpo e alma. Acredito que deve ser esses os motivadores de Daniel Colin, que acredita e nos faz acreditar em Viral e no seu ofício.

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