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Annie

October 5, 2018

 


Annie o musical surpreende pela inocência em forma de criança. O Atelier de Cultura e toda sua produção souberam adaptar de forma leve a história da pequena órfã, que ganhou uma estrutura impecável no palco do Santander. A maior vontade era de aplaudir de pé a cada cena desse espetáculo.
No palco estavam sete meninas que mostraram que, apesar da pouca idade, levam a sério seu ofício. Mais do uma história de esperança, amor e solidariedade, percebia-se um público carregado de crianças emocionadas com o que estavam apreciando.
Não havia como não se emocionar e se surpreender a cada segundo de Annie. Já de cara, sentado em meu lugar, arrepiei com a condução da orquestra no Overture. Na nossa frente, um jogo de luzes brincava com o nome do musical. Então tudo isso dá lugar ao primeiro cenário: o orfanato e o quarto das meninas. Lá na janela, estavam o tão esperado cabelo ruivo e o casaquinho vermelho. Ainda de costas, Sienna Belle solta a voz e, como mágica, aquelas notas que percorrem o espaço do teatro vão abraçando-me com delicadeza e sou tomado por surpresa e emoção.
Mas não para por aí, pois as sete órfãs entram em cena e dão um show de coreografia e canto. Percebia que o público estava admirado com o que via, os pés de muitos mexiam ao som da música, que ganhava ajuda das risadas de todos. Acredito que na minha sessão a atriz que interpretou Molly foi Maria Clara Bueno, que simplesmente arrancou boas risadas e muita fofura de mim. Na música Vida Dura Irmão, Bueno, possuída com sua personagem e mostrando que se divertia muito, acaba imitando alguns modos da personagem Mrs Hannigan, interpretada por Ingrid Guimarães, e neste momento ganha o público a seu favor.
O mais admirável nessa produção é ver a harmonia entre todas as crianças, que juntas transformam a cena e nos levam a ver o teatro infantil com novos olhares. Já Sienna Belle nasceu pronta para os palcos e sua voz infantil consegue preencher todo o teatro. Algo inesquecível. Até então, a faixa Amanhã (Tomorrow) não fazia parte da minha lista de favoritos, mas depois que Belle deu sua interpretação, não paro de escutar. A atriz sabe usar suas emoções para tocar os corações.
Ingrid Guimarães conseguia deixar-me com dor na barriga de tanto que ria com sua presença no palco. Não precisava falar nada. Só mexer aqueles cachos loiros já era motivo de imensas risadas. Ingrid é um mulherão que chega cheia de segurança para encarar um musical e estar ao lado dessas pequenas atrizes - uma escolha que deu mais que certo, pois esta união é surpreendentemente brilhante.
Miguel Falabella, ou melhor, Oliver Warbucks deixou-me de boca escancarada quando apareceu à escada da mansão. Queria poder caminhar entre aqueles degraus ou passear pelas ruas brilhantes, rumo ao cinema. Falabella mostra que o amor é a principal fórmula para a atuação.
Apesar de talentosíssimos atores, o maior destaque fica com a plateia. Lembro-me que meu olhar se dividia entre o palco e as pessoas ao meu redor. As crianças queriam se manifestar a cada vez que Belle soltava a voz para dar vida a uma nova faixa musical. Algumas dessas crianças, no pequeno espaço que existia entre sua cadeira e a da frente, tentavam arriscar alguns passos de dança. Annie o musical tornou-se inspiração para aquele pequeno público, que certamente recordará esse momento para o resto da vida.
Annie o musical, se tornou a maior inspiração teatral dos últimos tempos. Ver crianças e adultos transformando uma história clássica dos musicais em uma mensagem de esperança é formidável. Tudo isso com seriedade e profissionalismo que tocou a todas faixas etárias do público. Fico admirado com o que vi, saber que o Brasil tem tantos artistas bons e que quando são valorizados e conduzidos da melhor forma, acabam fazendo um inesquecível espetáculo. Ao final, não teve como conter a emoção, que misturou-se com aplausos, gritos, choro e muita gratidão.   

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