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Entrelinhas

August 22, 2018

 

Sentia um embrulho no estômago que não eram borboletas na barriga, mas sim, uma mistura de ansiedade com preocupação. No palco estava Cecília (Priscila Weber) que descarrega seus anseios baseados na suas atitudes, escolhas e criação dos seus filhos. Quase como um desabafo profundo e verdadeiro, a plateia fica paralisada acompanhando o final da história dessa personagem.

De repente blackout! O silêncio toma conta de todos e os breve segundos no escuro – que pareciam horas – foram o tempo necessário para digerir o que acabou de acontecer.

O teatro Pedro Parenti. em Caxias do Sul, foi o palco de Entrelinhas, na qual as atrizes Priscila Weber Massaro, Maria do Horto Coelho e Maria Carolina Carvalho recebem aplausos fervorosos. A peça conquistou o público da cidade da serra gaúcha, que em plena quarta-feira, compareceu em peso.

Com uma carga emocional profunda, Entrelinhas conquistou a atenção de todos em poucos minutos, deixando um silencio mortal rodando o teatro. Parecia que não havia ninguém na plateia, tamanha a conexão com a relação das três personagens e seus andamentos.

Priscila Weber conquista minha atenção a cada cena. Percebia em sua atuação a força da emoção em cada palavra que saía da sua boca. Um texto produzido pela própria atriz, que arriscou trazer uma temática familiar baseada na realidade que se passa com todos, ainda levando a momentos reflexivos e terapêuticos. 

Marta (a avó), Cecília (a mãe) e Bia (a filha) mostram três gerações da mesma família, que estão interligadas por suas histórias e escolhas. Essa convivência deixa claro que cada uma delas observa suas relações no ponto de vista pessoal, dessa forma provocando discussões que desencadeavam antigas experiências e aproxima o público de lembranças pessoais.

Para conduzir essa proposta tão provocativa, a diretora Zica Stockmans traça no palco linhas que demarcam território e espaço. Cada personagem tem o seu “quadrado” e sua cadeira. Quando há diálogos entre os personagens, por vezes estes invadem o espaço do outro para levar suas ideias. As cadeiras de cada personagem são conduzidas em cena e, se observar bem, pode-se perceber que esta movimentação está ligada com a personalidade ou situação de cada mulher.

O acerto foi tanto que presenciei ao término da peça uma conversa proposta pelas atrizes, a diretora e uma psicóloga. Queriam falar sobre a construção do espetáculo e o olhar psicológico do tema abordado. Neste momento, a platéia foi convidada a permanecer no teatro e participar da conversa. E para meu espanto, o público ficou e ainda interagiu neste diálogo. A troca que houve confirmou que Entrelinhas está no caminho certo, além da temática familiar e escolhas da vida, a construção cênica conseguiu abraçar o texto e engrandecer o espetáculo. 

As coisas não voltaram ao normal assim que saí do teatro. Por alguns dias, ficou ecoando na minha mente a cena final do espetáculo. Me marcou de uma forma impressionante. Talvez porque já tenha me perguntando e refletido sobre as atitudes e os caminhos que tomei. Entendo que não me aproximo de Cecília na personalidade, mas sim nas reflexões, pois sou humano e já me arrependi de escolhas que fiz. Porém com o tempo aprendi que não devo me desapegar por causa dessas vivências que, apresar de frustrantes, me ajudaram a entender a vida.

Foto: https://www.facebook.com/entrelinhas.teatro/

 

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