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Fome, a necessidade universal

July 25, 2018

 

Fome é a necessidade universal, não importa o lugar, país e ranking mundial.  O ser humano está sedento de alimento orgânico, espiritual e cultural. Necessitamos alimentar-se de todas as formas para conseguimos um equilíbrio ético e moral. Em “O Ninguém”, monólogo de Cristian Beltrán,é perceptível o cuidado na criação desse projeto, que aproxima o jovem a uma nova visão da sociedade e suas construções: nutrindo a nova geração através de uma peçaprovocativa, o ator mexe com o psicológico e a observação do mundo.

Um contador de histórias e causos chega diante de todos para apresentar quatro personagens que ilustram vertentes humanas– desigualdade, cobiça, poder e espiritualidade –, assim permitindo um reconhecimento natural em cada cena. Esse reflexo apresentado por Beltrán na narrativa mostra o quanto somos hipócritas ao pensar só no nosso “eu” e esquecermos dos outros que estão em nossa volta. E fácil levantar uma bandeira para exigir nosso direito, quando este convém ao nosso favor, entretanto, ter a sensibilidade de perceber que existem outros e que não estamos sozinhos já se torna um difícil exercício.

Para isso, o Teatro Enredo desenvolveu O Ninguém, um teatro de máscaras preocupado em levantar esse diálogo ao jovem e iniciar uma nova transformação pessoal. O enredo expõe a vivência de quatro personas que em algum momento se encontram, mas o fabuloso é ver que cada um percebe a sua verdade a partir do seu mundo. Já para quem está diante das quatros narrativas entende outra visão dos fatos, que inicialmente pode ser julgada como um erro, até perceber-se sua necessidade.

Tal necessidade só existe por causa de uma diferença social estabelecida pelo próprio homem, para mostrar que alguns têm o poder, e outros têmde obedecer. Muitas coisas podem ser ‘controladas’ nessa caminhada da humanidade, e talvez a luta não é contra o poder e sim contra nossos próprios pré-conceitos estabelecidos. Para isso,há a provocação da peça em relação ao futuro e a tantas ilusões estabelecidas para uma sociedade, que podem sugerir mudanças, mas essa só acontece quando se transforma a visão, a atitude e o pensar. Isso irá refletir na ética e na moral de cada um, e assim se tornar um resultado da massa.

Dessa forma e excelência que Beltrán apresenta O Ninguém e mostra seu domínio corporal na atuação, usando movimentos e sons que levam o público a imaginar tantas referências que não estão materializadas em palco. Cada persona tem uma frase de efeito e características bem elaboradas em que a cada momento se mostram novos e peculiares. O contador de histórias é tomado por inteiro quando uma das máscaras vira parte do seu corpo, deixando visível os estudos das personagens.

O enredo apresentado pode expandir inúmeros diálogos sociais que, se levados para um encontro na sala de aula ou num café, geram diversas opiniões. É possível que as pessoas opinem sob vertentes opostas a partir de suas experiências, mas a humanização é o elo que nos mantém em sociedade, e este deveria ser o nosso o maior poder.

Foto: Facebook Teatro Enredo

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