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Solteirona, sim! Mal-amada, não!

July 11, 2018

 

Berna, com sua personalidade única, chega trazendo para o público histórias a sua vida. Sem medo do pudor e do “politicamente correto”, a solteirona coloca a sua vida como ela é. Ao contar seus causos, acaba arrancando gargalhadas sem fim, não porque sua vida é uma comédia, mas porque sua vida é como a de todos nós. Entretanto, percebemos uma grande diferença entre Berna e o público, que é a sua visão dascoisas: talvez ela tenha mais inocência em lidar com a vida do que a gente.

Temos a tendência de dar grande importância para nossos problemas e dificuldades, e com Berna não foi diferente.Só que ela buscava uma solução, e por isso compartilhou seus anseios com um terapeuta – quem deveria trazer uma solução para seu caso. Foi nessa sessão que recordou momentos inusitados, e estes fizeram com que ela percebesse a importância das suas vivências e tantas “maluquices”que fez para tentar encontrar saídas: conversar com amigos e seguir o conselho deles, ir na manicure desabafar seus problemas,estudar sabedoria popular e, claro, quando tudo estava na pior, apelar para a religião – quem nunca? Essas são algumas das referências da trajetória de vida de qualquer pessoa. 

A atriz e diretora Zica quebra algumas barreiras do teatro tradicional, onde Berna está desde a entrada do teatro recebendo o público, e neste momento ainda aproveita para apresentar uma novidade que está comercializando. Em cena, a atriz também toma como palco os corredores do teatro e muitas vezes se dirige a platéia para interagir e até fazer com que eles participem em pequenos momentos dessa construção narrativa. Stockmans, além de atriz, é roteirista e está à frente da escola Tem Gente Teatrando, que prepara atores da Serra Gaúcha. Ela mostra que atuar não é só um roteiro decorado e um figurino. A cada um dos diversos personagens que ela representa neste monólogo, importantes na trajetória de Berna, Zica muda sua personalidade a cada frase dita.

O monólogo “Memórias de uma Solteirona”desperta com leveza e bom humor novas reflexões das vivências solitárias no decorrer da vida. Querendo ou não, nunca estamos acompanhados de um grande amor, e se estamos, devemos cuidar para não nos escondermos atrás do outro. A grande provocação neste espetáculo é: “será que nos permitimos estar com nosso ‘eu’ e desfrutar cada momento da nossa história?”Atualmente esse tema está em grandes pautas de conversas e redes sociais,mas nesses diálogos “prontos” não encontramos a grande verdade: estarmos no todo.E isso é apresentado nas narrações de Berna. Encontramos uma valorização pessoal e das experiências que ela viveu, e em muitas dessas vivências, Berna se permitiu – mesmo estando um pouco contrariada. Nem por isso deixou de experimentar, eisso marca tanto sua vida que se faz importante para seu crescimento como ser humano.

O mais bonito desse roteiro é ver que a liberdade pessoal da personagem é uma descoberta sobre o amor próprio. Essa descoberta que só se deu ao ter passado por cada fase da sua vida, bem humorada e sem se cobrar tanto com o que os outros dizem. Sim! Berna sofreu, algumas vezes não soube lidar bem com a vida, mas como já dito, a solteirona apresenta a vida como ela é. E ela deixa bem claro que não é por estar solteira que não existe amor ou uma vida cheia de aventuras, sonhos, descobertas, histórias, medos e libertações.

Reflito se estou aproveitando tanto a vida assim, pois sei que sou e somos conduzidos a ser bem-sucedidos, ter um relacionamento, a casa própria e um carro. Assim, atropelando a simplicidade do dia-a-dia, deixando de construir um encontro único e pessoal e estar preocupado com o outro ou o que vamos ter. A vida muita vezes faz pequenos convites diários que podem mudar toda a nossa história, mas estamos tão ocupados e desatentos a esses sinais que deixamos passar grandes oportunidade. Devemos aprender a ter um pouco de inocência e bom humor para lidar com vida.Dessa forma, podemos nos surpreender com os resultados.

Foto: https://www.facebook.com/events/262426451169980/

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