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Encontro com a Morte

June 20, 2018

 

Na noite do dia 6 de junho, tive um encontro com a morte. Ao assistir a Lendas de Enganar a Morte, espetáculo do Tem Gente Teatrando, deparei com várias representações da morte. A morte já foi narrada por todos os povos, adquirindo diversas formas e figuras. Há pessoas que correm dela, alguns vão a seu encontro e outros a enfrentam de peito aberto.

Não foi bem o caso de um homem e uma mulher, de muitos nomes, que conheci nas Lendas de Enganar a Morte. Naquela noite, os dois resolveram descansar num pequeno casebre, de beira de estrada. De repente, barulhos ao redor. O homem e a mulher ficam apavorados, mas para não demonstrar o que estavam sentindo, resolvem contar contos que sabiam sobre a morte. 

A diretora e dramaturga Zica Stockmans resgata contos populares comuns em rodas de conversas, mas também acrescenta diálogos com reflexões filosóficas sobre o cotidiano, que reverberam na nossa alma. A temática escolhida pode ser vista inicialmente como assustadora, mas na verdade é um assunto presente nos anseios do homem há décadas. Muitas vezes não estamos preparados para encarar esse momento inevitável, e boas histórias podem nós ajudar a lidar com tal assunto.

A dramaturgia dialoga com a literatura, sempre subsidiando temáticas que estão ligadas ao meio social e particular de cada um. É visível a dificuldade para discutir alguns assuntos, pois o “politicamente correto” lembra o quanto somos “frágeis” e necessitamos ser poupados de certas questões. Isso nos torna seres que se desestabilizam facilmente ao nos deparamos com grandes dificuldades na vida. Os contos (mitologia, orais, bíblicos, fadas, maravilhosos...), apesar da sua intensidade, conseguem lidar com todas essas temáticas e apresentá-las de forma que auxiliam nosso entendimento.

Os atores Sandro Martins e Sara Fontana assumem essa proposta dos contos com propriedade ao contarem quatro histórias diferentes e nos surpreenderem com sua diversidade de personagens. É deles também a criação do cenário e da iluminação, criando um clima de aconchego. Em cena, além dos figurinos e objetos cênicos, há a interação com uma projeção que ilustra vários ambientes que compõem as histórias.

O temor nem passa perto da gente. Medo não tive, mas admiração, sim, ao ver tantas formas e visões da morte. O espetáculo é tão bem elaborado que os atores conseguem até arrancar boas risadas da gente. E, claro, não há como sair de Lendas de Enganar a Morte sem uma boa reflexão. Será que estamos vivendo bem? Aproveitando o tempo que estamos aqui? Fizemos tudo o que queríamos ou só decidimos seguir as regras colocadas pela sociedade? Olha!

Melhor rever seus conceitos antes tarde do que nunca.  

 

Foto: Hugo Araujo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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